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Coordenadora: Marta Pina Lince de Faria
Licenciada e Mestre em Economia pela Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais da Universidade Catolica Portuguesa
e-mail: martalincefaria@gmail.com

Texto para preparar a conferência de dia 27 de Outubro: “Introdução. O que é a liberdade?”

Viver a liberdade com decisão

       É possível viver a liberdade sem decisão? Paradoxalmente, sim.
Existem pessoas que passam pela vida “livres” na teoria, mas apáticas
e escravas das circunstâncias na prática. Isso acontece porque a
liberdade não consiste apenas na possibilidade de fazer qualquer tipo
de escolha – inclusive aquela de não usar a liberdade, de não escolher
nada. O verdadeiro sentido de liberdade, por outro lado, acarreta algo
muito mais apaixonante: a construção de si mesmo.
       A liberdade é real, mas tem seus limites. E esses limites não são
realidades negativas como às vezes se pensa, e sim facetas da nossa
identidade, características que nos fazem ser como somos e não outra
coisa. Por isso, se sonhamos configurar a nossa vida de acordo com o
que queremos (e isso significa em ultima instância encontrar a
felicidade), antes de usar a liberdade é necessário adquirir um
verdadeiro conhecimento próprio, saber quem somos, quais são as nossas
qualidades e os aspectos menos desenvolvidos da nossa personalidade.
Em outras palavras, para acertar no uso da liberdade primeiro devemos
dominar o nosso modus operandi e depois… eleger!
       Optar por algo significa sempre deixar de lado outras oportunidades.
Se começo a faculdade de medicina, por exemplo, tenho de prescindir do
sonho de ser engenheiro aeronáutico. Se desejo morar em Roma, não
posso viver no Nepal. Também não posso casar com todos os homens do
mundo, e assim por diante. Uma eleição sempre é feita em detrimento de
outras. E essa realidade, de forma análoga aos limites, não é um peso
ao qual nos devemos resignar. Seria uma pena se concebêssemos a
eleição de um compromisso como uma espécie de destino inexorável. A
possibilidade de assumir com consciência um compromisso que, depois de
uma análise ponderada da nossa identidade, nos parece o mais
apropriado, “renunciando” a outros, desvela o sentido da nossa vida,
abre portas para novas aventuras e preenche todas as nossas
aspirações.
       Em resumo, usar a liberdade com inteligência e decisão, de acordo com
o conhecimento de quem somos, é trilhar o caminho rumo à felicidade.
Já dizia Chesterton, na sua obra  Ortodoxia, “(…) nunca eu poderia
conceber nem tolerar nenhuma Utopia que não me deixasse a liberdade a
que me sinto mais apegado: a liberdade de acorrentar-me”.
       Grandes homens e mulheres, conhecidos ou desconhecidos, usaram  a
liberdade com decisão e construiram com garbo a história de suas
vidas. Que vontade de conseguir o mesmo não é verdade? De chegar ao
fim de vida e pensar, “valeu a pena viver!” Sobre isso falaremos no
proximo dia 27. Até la!

Denise Drechsel
Jornalista

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